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BOLETIM 2
Olá
pessoal,
No
último flash cheguei em Salta. Salta é uma cidade
que parece Paris dos anos 60,
com praças onde as pessoas vao tomar um café à
tarde em calçadões em frente a
prédios antigos. Achei que estava na Europa !!! O interessante
é o horário de
funcionamento do comércio da cidade : das 12:00 às
16:00 o comércio fecha e a
cidade fica deserta. Depois "de la ciesta" , volta a
funcionar normalmente e vai até
as 21:00. É assim em toda a Argentina e no Chile nao é
muito diferente !!!!!
Saí
cedo para ir até uma cidade chamada Purmamarca que é
a entrada para o Passo
de Jama (Lê-se passo de rama) que é uma passagem
das mais interessantes que
existem entre AR e CH. A estrada é de uma única
mão e muito estreita, com curvas
de uns 300 graus (parece que esta-se voltando). No início
do trecho há uma placa
avisando para se buzinar antes de cada curva : nao é atoa,
pois um maluco freiou
em cima de mim. Encontrei com um grupo de bolivianos em dois carros
que foram
minha companhia nesse trecho.
Depois
passei por uma estrada muito melhor e passei por um rio que é
formado pelo
degelo das neves dos Andes – Rio Jujui (fala-se Rurui) e
parece uma enchurrada
gigante e fria. É impressionante. Vi o céu todo
colorido como nunca tinha visto,
aspecto que emocionaria qualquer cristão. Espero que a
foto consiga capturar pelo
menos um pouco dessa beleza.
Quando
cheguei ao povoado de Pumamarca, encontrei uma feira de artesanato
permanente na praça da pequenina cidade, com belíssimas
peças feitas a mão.
Sonhava com um poncho, mas os feitos a mão custam muito
caro por causa do preço
da lã de lhama e vicunha(os melhores). Então encontrei
um casaco muito bonito feito
em tear manual e com preço atraente (acho que não
é muito procurado pelos
turistas). Outros Argentinos me abordaram e ficaram impressionados
com minha
moto e minha história. Todos foram muito receptivos e alegres
comigo.
Daí
em diante haveria uma estrada difícil, pois tinha trechos
de asfalto, trechos em
obras de capeamento e de "rupio" (cascalho da região).
Outro aspecto era que iria
subir mais de 2000 metros em apenas 25km. Também estava
começando a esfriar
e cair uma fina garoa. Tive que me preparar. Primeiro esvaziei
os pneus para ter
mais tração, lubrifiquei a corrente e fiz uma verificação
na carga e nas condições
gerais da moto. Verifiquei meu equipamento pessoal (botas, protetores,
roupas de
frio, luvas, combustível, etc.), fato que chamou muita
atenção tanto dos turistas como
dos moradores da pequena cidade.
Quando
saí, fiz uma pequena oração, pois tinha a
impressão de ter que enfrentar
grandes dificuldades daí em diante. Logo no início
das curvas muito ímgrimes,
percebi que o problema maior seria a areia solta no asfalto. A
moto tendia a derrapar
com facilidade e nesse caso a potência do motor fez a diferença,
pois tive que
abusar de sua força para superar tal tipo de pista. Era
tão íngrime que em alguns
casos tive que usar 2ª. Marcha (já pensou : 2ª.
Marcha para uma moto de 45HP´s ?).
Quando
cheguei no trecho onde estavam asfaltando, haviam precipícios
de mais de
100 metros ao meu lado e quase verticais. Além da obra,
havia intenso tráfego de
caminhões, o que exigia mais cuidado. Desse ponto em diante,
era estrada de "rupio"
(cascalho), mas que estavam sendo preparados para receber asfalto.
Surgiram
máquinas e pisos de todos os tipos. Quando ultrapassei
3000 metros, a moto
começou a falhar e tive que aumentar o giro para compensar
um pouco. Nesse
ponto, era só 2ª. Marcha o tempo todo (imaginem o
que estava acontecendo com o
consumo de combustível !!!!). Além disso, começou
a ter muita neblina e o piso ficou
molhado. A tensão aumentou, até que ví um
gol parado na mão de descida com
placa do Brasil. Parei com muita dificuldade, pois havia um barro
fino e escorregadio
e fui ver quem poderia ser e se precisavam de ajuda : eram franceses
que estavam
a passeio pelo Brasil, AR e CH. Estavam tendo problemas para descer,
pois os
pneus do carro estavam um pouco gastos e não estavam conseguindo
parar na
descida. Mas estavam de bom humor e aguentando bem o frio que
era intenso.
Quando fui arrancar a moto percebi que minhas mãos estavam
duras de frio e tive
que aquescê-las no motor da moto. Parti com cuidado e fui
abençoado pelos
espíritos da montanha com imagens inesquecíveis
e com o ponto mais alto desse
trecho : 4170m. Pude parar e fazer belas fotos.
Daí
em diante foi melhorando o tempo e entrei realmente no deserto
dos Andes. Em
grande altitude o piso foi secando aos poucos e a estrada era
infindável, plana e
entre complexos de montes ao meu redor.
Quando
o asfalto retornou, tornou-se muito bom e em alguns pontos havia
valas no
asfalto para que as águas das montanhas pudessem passar
por cima do asfalto. E
foi aí que um problema aconteceu que poderia complicar
muito a viagem. Uma
dessas valas havia cedido e afundou um pouco. Como estava cançado
e com um
pouco de dor de cabeça, pelos efeitos da altitude, entrei
muito rápido e a moto, ao
sair, saltou no ar. Quando aterrisou, o peso da carga na traseira
fez o chassi da parte
de trás da moto ceder. Havia trincado o chassi da moto.
Dava pra continuar, mas
muito mais lento e já estava a uns 10km de Susques. Continuei
com cuidado e
quando cheguei a Susques a traseira cedeu tanto que o paralama
traseiro estava
raspando no pneu.
Era
tarde e estava cançado, além de estar com muito
frio. Resolvi parar a moto e
procurar um local para hospedagem até na manhã seguinte
(com cabeça fria teria
condições para avaliar o problema e, se possível,
pensar em uma solução). Achei um
ótimo restaurante : era o rancho da empresa que estava
construíndo a estrada. O
jantar foi excelente. Em Susques há uma Aduana para controle
de carga entre AR
e CH, e havia uma enorme quantidade de caminhões. Fiquei
preocupado e não
dormi bem, apesar de ter sido muito bem recebido pela casa de
uma família de
andinos de Susques.
No
outro dia, comecei desmontando a traseira da moto e avaliando
os danos. As
ferramentas que trouxe foram essenciais, sem elas teria que parar
a viagem alí
mesmo. A trinca era séria, pois era nos dois tubos que
compõem a traseira da moto.
Precisava de uma oficina que tivesse como fazer uma solda e a
encontrei. Era tudo
que precisava : a oficina era pequena, mas tinha o que precisava
(fiz uma foto, mas
somente na máquina convencional). Modifiquei o suporte
que fiz e cortei dois
pequenos tubos do suporte para fazer pequenos reforços
para o chassi. Na oficina
pedi uma serra e me forneceram bem gasta, mas era tudo que precisava
no
momento. Com muito cuidado fui fazendo os dois reforços
: cortando, limando no
esmeril, dobrando no torno, com cuidado para não quebar
as ferramentas (que tanto
precisava e que eram da maior oficina de Susques). Ao término,
perguntei a um dos
filhos do mecânico quando seu pai retornaria para soldar
o chassi para mim. Me
respondeu com tranquilidade que ele mesmo poderia soldar. Deveria
ter uns 17 anos
e fiquei um pouco apreensivo. Mas tinha que arriscar, pois seu
pai estava fora
buscando uma peça e não poderia esperar tanto.
Fiquei
envergonhado ao perceber sua habilidade e cuidado ao executar
o serviço.
Percebi então como havia julgado mal, sem perceber que
eles tinham que ser muito
bons pois não haviam muitos recursos disponíveis
e consertavam todo tipo de
veículos que lá apareciam com problemas. Ficou quase
imperceptível : depois que
passar uma tinta, seria difícil perceber algo. Quando fui
pagar, o garoto me pediu
para dar uma volta e estaríamos quites. Fiquei tentado
a deixá-lo dar uma volta, mais
por gratidão do seu empenho e capricho. Porém, lembrei
de quando peguei uma
XT600 a primeira vez e que meu amigo, Chapinha, me disse : "cuidado
com a força
dessa moto, ela pode te machucar numa arrancada exagerada".
Pensei bem e não
deixei ele dar a volta tão sonhada. Nao sei se fiz bem
ou mal, mas acho que fiz o que
tinha que fazer. Apesar de pagar o serviço com gosto, ainda
sinto estar em dívida
para com aquele garoto.
Remontei
a moto com muito cuidado, aplicando um pouco de graxa líquida
(que era
para a corrente) no local da solda para não ocorrer oxidação
durante o restante da
viagem.
Já
era tarde e começou a cair uma chuva torrencial em Susques.
Me informei e
disseram que chuvia muito pouco lá, mas que, quando chovia,
era pra valer. Eu
estava lá exatamente no dia e a temperatura baixou um pouco
mais, com um vento
cortante. Era tão forte que o gerador de energia da cidade
parou por alguns minutos.
Fui dormir um pouco, bem mais aliviado e foi muito bom.
Acordei
quando a chuva tinha passado e resolvi ver a cidade. Numa rua
me detive
conversando com dois homens muito simpáticos e, para minha
surpresa eram os
administradores da rádio FM de Susques. Isso mesmo : Susques
tem uma rádio FM
local, com seus 35 watts de potência que quase todas as
casas a sintonizavam e que
era elemento integrador das informações daquele
pequeno lugar. Ficaram tão
interessados na minha viagem, que me convidaram a dar uma entrevista
ao vivo na
rádio e lá fui eu : minha primeira entrevista ao
vivo, no meio dos Andes, num
povoado de pessoas agradáveis e simples. Senti-me muito
honrado. Era um quarto
pequenino, com telhado de palha coberto por barro, bem aconchegante
e com fios
para todo lado. Tinha até um computador que não
lia a unidade de CDROM. Me
pediram para dar uma olhada e lá estava eu abrindo um computador
no meio dos
Andes, com poeira por todos os lados. Pelo que verifiquei, o problema
era sério e
não poderia ser consertado : era outra unidade. Ficaram
tão gratos que queriam que
eu ficasse mais um dia para uma "panelada" de carne
de Lhama. Minha boca encheu
dágua, mas já estava atrasado e mais um dia poderia
complicar ainda mais minha
viagem. Agradeci e fui andando.
Apesar
de pequena, Susques tinha dois campos de futebol e com times que
jogavam
todos os dias, entre si e com times formados pelos visitantes,
em sua maioria
caminhoneiros que sempre passavam por alí. Ví como
o esporte era um grande fator
de integração. Lembram do garoto que soldou a moto
? Quando terminou de soldar
minha moto, nao se deteve e vestiu um uniforme e foi jogar "una
pelota",
perguntando se gostaria de ir também.
Os
gols eram comemorados e os dois campos tinham torcida e dava para
ouvi-las
mesmo de longe. Quando voltei para a casa onde estava hospedado,
havia uma das
crianças chorando num quarto e dei uma espiada. Na tentativa
de consolá-la, mostrei
a câmera digital. Seus olhos brilhavam e ficaram todos alegres
quando tirei uma foto
de todos eles no quarto. Depois disso, sempre me abordavam, me
mostrando coisas
suas e brincadeiras diversas. Curioso foi perceber a recepção
por satélite de canais
da televisao digital. Estavam vendo canais de desenhos que meus
garotos também
assistiam. Fiquei pensando em seu futuro: sua cultura em contraposição
com a
cultura da informação global e padronizada. Brincadeiras
milenares com chalés
andinos imemoriais e as brincadeiras dos TelleTubbies. Não
sei se é certo ou errado,
mas percebi que era fato.
A
noite, conheci um grupo de argentinos e fiquei conversando com
uma socióloga
sobre essas questões. Eram de Buenos Aires e estavam passeando
pelo interior de
seu próprio país para conhecê-lo melhor. Foi
muito proveitoso, pois aprendi algumas
coisa, tanto da língua como de valores. Os povos que viviam
nos Andes, não se
consideravam Argentinos, ou Chilenos, ou Bolivianos, etc. Se consideravam
Andinos
e mantinham-se como tais.
Fui
dormir bem mais tranquilo e ao acordar bem cedo, deparei-me com
um dia de céu
límpido e sol intenso. Logo percebi que a pesquisa sobre
irradiação ultra-violeta
seria-me útil, pois tive que colocar logo os óculos
e montar a bagagem na moto sem
tirá-los. Nem tive dúvidas e passei o bloqueador
solar. Quando estava pronto para
sair, meus pequenos amiguinhos estavam lá e tiramos mais
uma foto.
Tive
que encher os tanques adicionais que trouxe de Salta, pois todos
me afirmaram
que o combustível nao iria dar. Eram uns 270 ou 280 km.
A moto tinha autonomia de
300km em condições normais, mas não queria
mais arriscar como na vez passada
(lembram-se do sufoco quando o combustível acabou à
noite entre Corrientes e
Salta?).
Esta
estrada estava acima dos 3000m e, somando-se o fato de ser cascalho
solto
com muitas costeletas, exigiu-me habilidade e força para
aguentar manter a moto em
aceleraçao alta, com velocidade e destreza. Tive que parar
várias vezes para
descançar, comer uma barra de cereais, beber água.
Aproveitei para, à cada parada,
tirar algumas fotos.
Muitos
carros paravam nessa estrada, pois era muito difícil para
veículos pequenos,
além de muitos caminhões. Mesmo caminhonetes e jipes
tinham que tomar cuidado.
O que mais se via eram Toyotas e Nissan´s. As Blazer´s
da Chevrolet não
aguentavam muito bem, pois duas delas estavam paradas com motor
aquecido e
outra com pneu furado. Fui com cuidado, mas a moto estava "em
casa". Era mesmo
projetada para fora de estrada. Encontrei-me com Chilenos, Brasileiros,
Argentinos,
Paraguaios e Bolivianos. Todos eles muitos solícitos uns
para com os outros dadas
as condições difíceis que enfrentávamos.
Quando
cheguei à Aduana argentina, alguns policiais chegaram a
sair do posto para
ver minha moto. Tive uma conversa muito esclarecedora com os aspectos
de dirigir
no Chile. Se tiver uma placa de PARE, pare, engate 1ª. e
prossiga calmamente. É
assim, da mesma maneira que aprendemos na autoescola. O asfalto
é excelente,
mas o vento lateral e frontal ficou muito mais forte. Andei tanto
tempo com vento
lateral que o pneu gastou mais de um lado que do outro, acreditam
?
A
rodovia ("ruta") ia subindo sem parar e o motor começou
a falhar muito, me
forçando a trabalhar com giro acima de 5000rpm para compensar
a perda de
potência. Era falta de ar para queimar o combustível.
Se estava faltando ar para a
moto, estava faltando para mim também e aí surgiu
outro problema : além do frio que
ficava mais rigoroso, comecei a ficar lento em meus reflexos.
Não tive dor de cabeça,
como muitas pessoas, mas estava lento para ações
simples. Percebi essa diferença
quando, parei para tirar umas fotos dos flamingos e tive que trocar
a lente da
máquina por uma zoom. Minhas mãos não tinham
mais a destreza com que
executava essa tarefa tão corriqueira para mim. Fiquei
um tempo maior parado para
reavaliar minhas condições físicas e planejar
melhor esse último trecho de viagem.
Ainda faltavam uns 80km até San Pedro de Atacama.
Ainda
havia subida e, depois, me informaram que a estrada chegava a
aproximadamente 5000 metros. Estava tão frio que a máquina
digital não quis ligar,
acusando pilha fraca. Desse trecho somente tenho fotos da máquina
convencional.
Fiz muitas pequenas paradas e o efeito da redução
do reflexo aumentava, pois tinha
que gastar um tempo enorme para parar a moto, descer, fazer o
que queria (uma
foto, caminhar um pouco, comer uma barra de cereais, beber água,
vestir uma blusa
a mais, colocar o capús, óculos, capacete, luva,
montar novamente e sair).
No
ponto que considerei mais alto, havia neve na margem da pista.
Havia um monte
tão próximo que seria possível subí-lo
a pé (mas que constituiria-se em um enorme
esforço, com certeza). Estava cançado e meu corpo
não obedecia como queria, tanto
pela altitude como pelo frio que nunca senti tão forte
em minha vida ( deveria estar
bem abaixo de 0o. ). Concentrei-me então no mais importante
: pilotar a moto com
cuidado e estabeleci uma velocidade limite : 80km por hora, mesmo
que fosse numa
reta.
Fiquei
feliz quando comecei a descer e percebi o vale de San Pedro de
Atacama.
São 58km de descida quase reta. Fui devagar, pois considerei
que, se ao subir tive
problemas com a diminuição da pressão e temperatura,
ocorreria algo com aumento
da pressão e temperatura. O clima já se apresentava
muito seco e meu nariz estava
começando a cortar. Foi uma ótima estratégia,
pois numa das poucas curvas dessa
descida, havia lhamas na pista e consegui parar a moto tão
suavemente que fiz fotos
delas e não se assustaram comigo.
Depois
de um 35km de descida, vi uma Blazer com placa do Brasil parada
e com
capô aberto. Ao lado um outro carro tipo Lumina (fabricado
pela Pontiac, acho),
também com capô aberto.Parei e o casal viajante da
Blazer eram de Passos-MG.
Que bom encontrar meus conterrâneos. Estavam com o carro
super aquescido por
causa da subida, mesmo sendo motor diesel. O outro carro estava
com um cano de
água furado pelo excesso de pressão e alta temperatura
do motor ao subir esse
trecho. Tive que ceder a eles uma massa epoxi que levava em minha
bagagem, pois
estavam com família.
O
casal de mineiros foram muitos amáveis e até me
propuseram trocar alguns
dolares por pesos chilenos (que são muito desvalorizados
– um dólar = 550 pesos
chilenos), por um câmbio melhor, até porque estavam
voltando para o Brasil, através
da Argentina e não precisariam de pesos chilenos. Despedi-me
deles e foram
subindo lentamente.
Por
meu turno, já me sentia bem melhor e comecei minha descida
final até San
Pedro de Atacama, Chile. Antes porém, olhei para trás
e, ao deslumbrar o colosso
império da natureza em seu estado bruto, agradeci aos espíritos
dos Andes sua
acolhida e sua ajuda em minha travessia sem nenhum problema grave.
Montei
na moto, minha companheira, e segui tranquilo.
Até
o próximo boletim amigos.
Dênis
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